I Festa do Vinho
O ano de 2001 marcou o início de uma das mais belas e simbólicas tradições culturais de Minas Gerais: a Festa do Vinho de Catas Altas. Realizada entre os dias 18 e 20 de maio, a 1ª edição do evento celebrou o vinho artesanal de jabuticaba, bebida que carrega séculos de história e simboliza a identidade e o orgulho da comunidade catas-altense.
Organizada pela Prefeitura Municipal de Catas Altas, em parceria com a recém-criada Aprovart (Associação dos Produtores de Vinho e Agricultores Familiares), a festa nasceu com o propósito de valorizar o trabalho dos produtores locais e resgatar o modo artesanal de fazer vinho — tradição que remonta ao século XIX, quando o cultivo da jabuticaba substituiu a mineração como principal sustento da cidade.
Com estrutura simples, mas repleta de significado, a primeira edição foi um verdadeiro sucesso e marcou o início de uma jornada que transformaria Catas Altas em referência nacional em turismo enogastronômico e cultural.
Os primeiros produtores e a estrutura da festa
Realizada na Praça Monsenhor Mendes, no coração do centro histórico, a 1ª Festa do Vinho de Catas Altas contou com uma charmosa estrutura de dez barracas recobertas de casqueiro de madeira. O cenário rústico e acolhedor refletia a essência do evento: simplicidade, autenticidade e orgulho das origens.
Participaram dez produtores de vinho artesanal e uma licorista, que apresentaram seus produtos sob rótulos padronizados, símbolo de união e igualdade entre os participantes. As barracas foram distribuídas de forma organizada — nove delas destinadas aos produtores e uma exclusiva para a licorista.
Os participantes da primeira edição foram:
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Ana Virgínia Hosken Viegas
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Caraça (Santuário do Caraça)
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Eder Ayres Siqueira
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Elias Paulo Lobão
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Gercina Emília de Souza
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Maria José Batista Bento
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Nereu de Souza
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Ornelinda da Conceição Hosken Barbosa
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Rita Maria Corrêa de Queiroz
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Tarcísio Telésforo de Souza
Licorista: Ana Maria Siqueira Muniz
Entre as curiosidades da primeira edição, destaca-se que a barraca de número nove foi compartilhada entre Rita Maria Corrêa de Queiroz e Eder Ayres Siqueira, devido à menor quantidade de garrafas disponíveis — um gesto de cooperação que simbolizava o espírito solidário e comunitário do evento.
Rainha, princesas e o encanto da celebração
A tradição da Rainha do Vinho, que se manteria nas edições seguintes, teve início logo em 2001. A primeira corte foi formada por três jovens catas-altenses que se tornaram ícones da história da festa:
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Rainha: Luciana Machado
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1ª Princesa: Antônia Serpa
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2ª Princesa: Gisele Oliveira
A coroação da Rainha do Vinho simbolizou o prestígio e o orgulho da comunidade, representando a beleza e a força das mulheres de Catas Altas. O desfile e a cerimônia de entrega das faixas emocionaram o público e se tornaram um dos momentos mais marcantes da programação.
Música, cultura e o espírito comunitário
A programação musical da 1ª Festa do Vinho foi composta por artistas locais e regionais, que animaram os três dias de evento com repertórios de música popular brasileira, viola e ritmos mineiros.
Ainda sem grandes shows nacionais, o evento encantou pela proximidade entre o público e os músicos, criando uma atmosfera de confraternização que logo se tornaria uma das marcas registradas da festa.
Além da música, apresentações culturais, danças e atividades recreativas envolveram moradores e visitantes, reforçando o sentimento de pertencimento da comunidade e a valorização das tradições rurais e religiosas da região.
Sabores e vinho artesanal de jabuticaba
Mesmo em sua primeira edição, a Festa do Vinho destacou-se pela experiência gastronômica. O público pôde degustar o fermentado artesanal de jabuticaba, produzido com cuidado e tradição pelos viticultores locais.
As barracas também ofereciam quitandas mineiras, queijos, doces caseiros e pratos típicos preparados por famílias da região, criando combinações que harmonizavam perfeitamente com o vinho artesanal.
Essa integração entre vinho, gastronomia e cultura foi um dos pilares da festa desde o início e se tornaria, nos anos seguintes, um de seus maiores atrativos turísticos.
Organização e legado da primeira edição
A organização comunitária foi a chave do sucesso da Festa do Vinho de 2001. Com o apoio da Prefeitura de Catas Altas, da Aprovart e da própria população, o evento conseguiu unir tradição e inovação, abrindo um novo capítulo na história cultural da cidade.
Mesmo com infraestrutura modesta, o resultado superou todas as expectativas: o público compareceu em peso, os produtores venderam praticamente toda sua produção, e a cidade viu nascer uma celebração que fortaleceria sua identidade e projetaria seu nome em todo o estado.
O sucesso da edição inaugural garantiu sua continuidade anual e inspirou o crescimento das edições seguintes, que ganhariam mais estrutura, visitantes e reconhecimento — sem jamais perder o espírito de comunidade que marcou aquela primeira festa.
Um brinde à história
A 1ª Festa do Vinho de Catas Altas foi mais que um evento: foi o marco do renascimento cultural da cidade.
Entre barracas simples de madeira, taças de vinho artesanal e música mineira, nasceu uma tradição que continua viva até hoje — celebrando o trabalho das famílias produtoras, o talento de seus artistas e o orgulho de uma cidade que aprendeu a transformar sua história em sabor, cultura e união.
Em maio de 2001, Catas Altas brindou o futuro com o vinho de suas raízes — e esse brinde ecoa até hoje, como símbolo de amor à terra e de respeito às tradições que unem seu povo.






